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Solidão

ernestitoguevara @ 10:32

Tu que dormes só
na calçada do relento
com lençois feitos de chuva
e tenhados de vento

Tu que dormes num turbilhão
ai só no meio da multidão
essa que escolhe ver sem olhar
olhar sem ver.

Nem notam o quão perto passam
da figura desfocada que representas
da figura que já foi e nunca será
que nunca sera igual ao ontem ao hoje e ao amanha

A mutação é constante
és de outro mundo, só teu
partilhas-o com os ilustres invisiveis
aqueles que tambem não vês

não és do mundo deles
és abjecto, frio, feio, distante, não existes
ao passarem por ti despojam-te daquilo que ainda possuias
A Tua maravilhosa, mas contudo miseravel humanidade

É verdade!
Já foste como eles, e por isso comprendo-los?
não!
Mas porquê se fizeste o mesmo?

Tu olhavas sem ver tu vias sem olhar!
Fugias do tocar, sim fugias!
Fugias daquele cheiro que te inebriava o olhar!
Fugias deles! De quem? do teu destino.

Acabaste assim como os outros
só, perpetuando-te no gargalo e na seringa da vida
És triste tenho pena de ti
Eu sei! Tu escolheste ser assim

Mas sabes! O tempo fluiu tu paras-te
O tempo parou tu morres-te
Já não vives, sobrevives
Mas para quê?

Essa agunha não te dá nem um suslaio de esperança
ela olha para ti e vê-te fraco, insignificante
mas espera! ela afinal...
vê-te apenas humano!

Eles não sabem, nunca saberão pois ignoram!
A dor que sentes, quando não podes rematar mais uma dose
tens de acabar, és um morto vivo, uma imperfeição
a natureza não te desenhou, foi a droga que te criou.

Eles não sabem ignoram
Que são como tu!
como tu não! Piores que tu!
Tu és mendigo de uma sociedade
eles são mendigos da humanidade!!

Tiago "Ernestito" Santos.

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