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<title>Ignobil Pensador </title>
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<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 03:46:31 +0000</pubDate>
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<title>Ignobil Pensador </title>
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	<title>Entrevista com Sergio Vilarigues, o corpo morre a alma perdura, até sempre camarada...</title>
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		<description><![CDATA[<div align="left"><font color="#990000">O campo de concentração do Tarrafal, emblema das mais sinistras prisões da ditadura fascista chefiada por Salazar, foi aberto há 70 anos, na ilha de Santiago no arquipélago de Cabo Verde, então colónia portuguesa e hoje país independente. Para o campo do Tarrafal foram enviados centenas de presos antifascistas, dos quais cerca de três dezenas haveriam de morrer em condições desumanas. </font></div>
<div align="left"><font color="#990000">A história sinistra do Tarrafal foi escrita a sangue pela coragem, espírito de luta  e abnegação heróica de centenas de patriotas portugueses e africanos ali sujeitos a condições prisionais arbitrárias e extremamente penosas. </font></div>
<div align="left"><font color="#990000">Sérgio Vilarigues, actualmente com 91 anos, integrou o grupo dos primeiros presos enviados para o Tarrafal. Tinha sido preso em Lisboa, no mês de Setembro de 1934, com um grupo de seis camaradas. Espancado na esquadra do Calvário, julgado e condenado por pertencer às Juventudes Comunistas e ao PCP, cumpriu integralmente a sua pena no presídio de Angra do Heroísmo. Mas, em vez de ser restituído à liberdade, foi obrigado a embarcar para o novo cativeiro do Tarrafal, de onde só viria a sair em 1940, a título “condicional”, devido à chamada amnistia dos Centenários... Esta breve conversa com Sérgio Vilarigues, dirigente histórico do nosso Partido que durante muitos anos integrou os seus organismos executivos, pretende dar uma ideia do que representou, no quadro da repressão fascista, a criação do Campo de Concentração do Tarrafal.<br />     <br /> </font><font color="#990000"><strong>Camarada Sérgio Vilarigues, em que contexto decidiu a ditadura salazarista criar o Campo de Concentração do Tarrafal?<br /> </strong><br /> Na minha opinião, e penso que não será só a minha, o campo destinava-se a liquidar, em condições menos expostas, uma boa parte dos elementos mais firmes da luta contra o fascismo.<br />  <br /> <strong>Era para não se ouvir aqui a sua voz?</strong>
<p>Penso que sim, esperavam que de tão longe não chegasse cá a voz dos presos. Mas acabou por chegar, e bem.</p>
<p><strong>Era o vosso famoso sistema de comunicação?</strong></p>
<p>A primeira das nossas preocupações em nova situação prisional era combater o isolamento que nos queriam impor, era estudar novos meios de comunicação entre nós. Tratava-se de uma forma de luta e resistência. E de sobrevivência, como muitas outras.</p>
<p><strong>Como foi a ida para Cabo Verde?</strong></p>
<p>Quando fui para lá já tinha acabado de cumprir a pena havia três meses. Estava em Angra do Heroísmo, na Fortaleza de S. João Baptista. Aí foram largados setenta e tal presos dos que vinham do Continente e escolheram outros setenta e tal para seguirem viagem. Ia também uma companhia da GNR para nos guardar, provisoriamente, no Tarrafal. Fez um cerco quando chegou a Angra a ameaçou logo que, ao mais pequeno pio, trabalhariam as metralhadoras e as mangueiras do barco com água a ferver. Ainda a propósito de comunicação entre nós:  chegámos ao barco e dez minutos depois já estávamos em comunicação com o outro porão. Os presos são assim, há quem  diga que nas prisões não se luta, mas eu digo-te: luta-se e de que maneira!</p>
<p><strong>Mesmo no campo de concentração?</strong></p>
<p>Claro, quantas lutas, e vitoriosas, lá fizemos. Eram combates pelos nossos direitos, se assim se pode dizer de um sítio onde é quase caricato falar de direitos, mas sobretudo pela nossa sobrevivência. Porque era disso que se tratava: mandaram-nos para ali para morrermos ali. Isso mesmo nos dizia o Seixas, chefe dos pides do campo: “Tudo o que veio para aqui foi para morrer, lapas e tudo”. Acabou por morrer de podre depois do 25 de Abril, era um depravado, não foi por qualquer castigo pelo mal que fez a tantas pessoas. Ele e todos  os outros. E olha que, não sendo eu de vinganças, nada disso, mas não tenho problemas em dizer ainda hoje que não me repugnava ver um Pide sofrer só um pouco, um pouquinho, daquilo que nós sofremos às mãos deles.</p>
<p><strong>Então a mudança para o Tarrafal...</strong></p>
<p> Mudaram-nos para o Tarrafal porque em Angra era muito mais difícil matar, o clima e as condições sanitárias não eram tão maus. Não havia paludismo, não havia malária, e havia uma população à qual os nossos gritos chegavam facilmente. E estávamos mais perto do Continente. As ligações não eram muitas, mas sempre havia um barco, creio que semanal, o que tornava mais fácil e mais rápido fazer chegar as notícias ao Continente.<br /> </font><strong><br /> <font color="#990000">E havia a célebre “frigideira”...<br /> </font></strong><br /> <font color="#990000">Sim, havia a frigideira no Tarrafal, mas em Angra também tínhamos a poterna, que não era melhor...  A frigideira contribuiu para a morte de vários presos, mas pior do que ela talvez fosse a insalubridade, a água absolutamente inquinada, a falta de higiene, a ausência de assistência médica, a desumanidade, o mal... Até os medicamentos pessoais, que tínhamos connosco ou que nos eram enviados de Portugal, com muitos sacrifícios, pelas nossas famílias e pela solidariedade de amigos, nos eram roubados. Por eles, pelos guardas, pelos esbirros, pelo sistema...</font><font color="#990000">
<p><font color="#990000"><strong>Não achas que os governos de Portugal e Cabo Verde deviam colaborar com vista a preservar a memória de um dos símbolos mais terríveis da repressão fascista contra Portugueses e Africanos?<br /> </strong><br /> Lá achar, acho. Mas o que tem sido feito, e eu até já fui convidado para uma dessas excursões, são visitas com muitos empresários e muito boa mesa. E depois acompanham esses cruzeiros com evocações mais ou menos idiotas que resultam em choradeiras pelo macaquinho que morreu, coitadinho, e em desculpas do regimes fascista, que afinal nem era assim tão fascista e afinal os presos do Tarrafal nem morreram todos. Para isso já dei. Quanto à memória do Tarrafal, não sei se os políticos no poder estão de facto interessados em preservá-la. Parece-me até que não. Houve promessas, palavras ditas, projectos ao vento, até de um filme... Sabes dizer-me onde estão as obras?<br /> Seja como for é necessário que os antifascistas, e em primeiro lugar os comunistas – que foram quem pagou o preço mais alto pelo seu amor à liberdade – persistam na luta para que não caia no esquecimento o que foi e o que significou o Tarrafal.</font></p>
<p> </font></div>
<p><a href="http://ignobilpensador.nireblog.com/post/2007/07/17/entrevista-com-sergio-vilarigues-o-corpo-morre-a-alma-perdura-ate-sempre-camarada#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 10:52:00 +0000</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Lobbies nos media? Com certeza que sim!</title>
	<link>http://ignobilpensador.nireblog.com/post/2007/07/17/lobbies-nos-media-com-certeza-que-sim</link>
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		<description><![CDATA[<p><strong><font size="3" color="#ff3333">É fundamental o desafio lançado num dos últimos Prós e Contras e que tem tido enorme eco na comunicação social. Durante um tempo julgámos que a intermediação entre a esfera política e a esfera civil era feita pelos jornalistas e pelos órgãos de informação. Começámos há algum tempo a perceber que isso não é possível porque o jogo não é inocente, liso e cavalheiresco. É viciado como as cartas marcadas. </font></strong><strong>
<p><font size="3" color="#ff3333">Jornalistas manipulados por interesses económicos, detentores dos órgãos de informação; jornalistas "pagos" por empresas para passar certas mensagens, uma dada versão da verdade ou lançar candidatos a CEOs ou a lideres de uma Ordem qualquer. Pagos para falsear a verdade dos factos, lançar uma cortina de fumo, propagar a mentira. Com absoluto despreendimento e sem problemas. </font></p>
<p><font size="3" color="#ff3333">É essa a realidade do jornalismo dos nossos dias em que a infoopinião domina, onde ninguém corrige o português (porque isso não se faz), onde qualquer novato pode mandar uma bojarda sem ser corrigido. Não isso é contra a independência do jornalista, a sacrosanta idoneidade do especialista, a honestidade intelectual.<br /> Há excepções? Seguramente. Mas há cancros nas redacções que mereciam ser exsudados e não são. </font></p>
<p> </strong>
</p>
<p><a href="http://ignobilpensador.nireblog.com/post/2007/07/17/lobbies-nos-media-com-certeza-que-sim#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 10:36:27 +0000</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Esquecer o inesquecivel, como?</title>
	<link>http://ignobilpensador.nireblog.com/post/2007/07/17/esquecer-o-inesquecivel-como</link>
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		<description><![CDATA[<p><strong>
<p><font size="3" color="#00cc99">Eu sei que sofres.<br /> mas porquê? estás tão longe e eu tão perto,<br /> estás tão só e eu tão proximo,<br /> estás triste e eu choro por ti </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">não sei porque o faço,<br /> mas faço por ti, choro,<br /> sem ser menos homem,<br /> sendo mais Humano </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">ser sensivel para mim é esquecer,<br /> esquecer o quanto o amor nos faz sofrer,<br /> esquecer que estás a um pensamento de distancia,<br /> esquecer que estou acompanhado da memoria do teu sorriso </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">esqueço para não sofrer!<br /> esqueco para não chorar! </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">sinto-me só! acompanhado de sombras,<br /> sombras da memoria que me atacam<br /> de noite e destroiem o meu coração,<br /> deixando-me numa saudosa amargura </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">esqueço para não sofrer!<br /> esqueço para não chorar! </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">sou furagido da memoria,<br /> transeunte do pensamento,<br /> um mero pião no chadrez do amor,<br /> sangro lagrimas, por ti </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">esqueço para não sofrer!<br /> esqueço para não chorar! </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">sou um roedor do pensamento,<br /> atacado por corujas da memoria.<br /> defesa? essa não existe.<br /> só o esquecimento </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">mas como esquecer o amor?<br /> aquele sentimento que sentes<br /> quando nunca sentiste<br /> nenhum sentimento assim </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">sou prisioneiro do inferno<br /> inferno?! é ter de deixar de te amar,<br /> esquecer, deixar perder no insondavel<br /> no insondavél baú de recordações </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">aquele baú venho e ferrugento,<br /> sem fundo, sem tempo, sem nexo<br /> quem ama e é amado perde-se no tempo,<br /> quem ama sem poder amar pára no mesmo. </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">por isso esqueço para não sofrer!<br /> esqueço para não chorar! </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">estou acompanhado da solidão,<br /> estou triste porque estás triste,<br /> estou só porque não saberei,<br /> amar mais ninguem que me ame como tu. </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">por isso sou como guerreiro sem causa,<br /> onde sem ela continuar não faz sentido,<br /> sou triste por amar, por amar<br /> quem já não posso amar assim </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">esqueço para não sofrer!<br /> esqueço para não chorar! </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">disseram-me o amor era uma lança,<br /> pronta a trespaçar-nos,<br /> a tornar-nos amargos, solitarios.<br /> não acreditei, que ingénuo. </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">mas verdade seja dita.<br /> tudo o que é especial,<br /> dura somente o suficiente<br /> para se tornar inesquecivel </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">por isso tento, e não consigo!<br /> não consigo parar!<br /> parar de sofrer!<br /> parar de chorar! </font></p>
<p><font size="3" color="#00cc99">Tiago "Ernestito" Santos </font></p>
<p> </strong>
</p>
<p><a href="http://ignobilpensador.nireblog.com/post/2007/07/17/esquecer-o-inesquecivel-como#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 10:33:38 +0000</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Solidão</title>
	<link>http://ignobilpensador.nireblog.com/post/2007/07/17/solidao</link>
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		<description><![CDATA[<p><strong>
<p><font size="3" color="#99ff00">Tu que dormes só<br /> na calçada do relento<br /> com lençois feitos de chuva<br /> e tenhados de vento </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Tu que dormes num turbilhão<br /> ai só no meio da multidão<br /> essa que escolhe ver sem olhar<br /> olhar sem ver. </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Nem notam o quão perto passam<br /> da figura desfocada que representas<br /> da figura que já foi e nunca será<br /> que nunca sera igual ao ontem ao hoje e ao amanha </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">A mutação é constante<br /> és de outro mundo, só teu<br /> partilhas-o com os ilustres invisiveis<br /> aqueles que tambem não vês </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">não és do mundo deles<br /> és abjecto, frio, feio, distante, não existes<br /> ao passarem por ti despojam-te daquilo que ainda possuias<br /> A Tua maravilhosa, mas contudo miseravel humanidade </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">É verdade!<br /> Já foste como eles, e por isso comprendo-los?<br /> não!<br /> Mas porquê se fizeste o mesmo? </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Tu olhavas sem ver tu vias sem olhar!<br /> Fugias do tocar, sim fugias!<br /> Fugias daquele cheiro que te inebriava o olhar!<br /> Fugias deles! De quem? do teu destino. </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Acabaste assim como os outros<br /> só, perpetuando-te no gargalo e na seringa da vida<br /> És triste tenho pena de ti<br /> Eu sei! Tu escolheste ser assim </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Mas sabes! O tempo fluiu tu paras-te<br /> O tempo parou tu morres-te<br /> Já não vives, sobrevives<br /> Mas para quê? </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Essa agunha não te dá nem um suslaio de esperança<br /> ela olha para ti e vê-te fraco, insignificante<br /> mas espera! ela afinal...<br /> vê-te apenas humano! </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Eles não sabem, nunca saberão pois ignoram!<br /> A dor que sentes, quando não podes rematar mais uma dose<br /> tens de acabar, és um morto vivo, uma imperfeição<br /> a natureza não te desenhou, foi a droga que te criou. </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Eles não sabem ignoram<br /> Que são como tu!<br /> como tu não! Piores que tu!<br /> Tu és mendigo de uma sociedade<br /> eles são mendigos da humanidade!! </font></p>
<p><font size="3" color="#99ff00">Tiago "Ernestito" Santos.</font></p>
<p> </strong>
</p>
<p><a href="http://ignobilpensador.nireblog.com/post/2007/07/17/solidao#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 10:32:04 +0000</pubDate>	</item>
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